Ancestralidade · 2026

Borum-Kren: o Povo que Não Aceitou Desaparecer

Declararam guerra contra eles. Assinaram decreto de extermínio. Disseram que estavam extintos. Eles continuaram aqui — no mesmo chão, entre os mesmos rios.

Carta Régia de 1808

O documento que autorizou a guerra contra um povo inteiro — assinado no aniversário de um príncipe.

Em 13 de maio de 1808, Dom João VI assinou a Carta Régia que declarava guerra ofensiva aos Botocudos em Minas Gerais — o mesmo povo hoje reconhecido como Borum-Kren.
Capítulo I · Origem

Antes do Ouro, Havia Gente

Antes que o primeiro bandeirante pisasse na serra que hoje chamam de Espinhaço, antes que alguém arrancasse uma pepita do leito do Tripuí, antes que existisse uma Vila Rica — havia gente naquelas matas. Gente que conhecia o nome de cada rio, o ciclo de cada fruto, o caminho de cada animal. Gente que chamava a si mesma de Borum — a essência do ser. E que chamava a sua terra não de propriedade, mas de parente.

Os Borum-Kren são um povo indígena do tronco linguístico Macro-Jê que ocupou durante séculos o território alto dos rios Velhas, Paraopeba e Doce, na região que hoje corresponde a Ouro Preto, Itabirito, Mariana e seus distritos. Ao longo da colonização, receberam dos invasores uma dezena de nomes que não escolheram: Botocudos, Aimorés, Cataguases, Guarachues, Bucãs, Golanás. Cada nome era um rótulo imposto por quem não os conhecia — ou por quem precisava justificar a violência contra eles.

O termo Botocudo é o mais famoso e o mais pejorativo. Vem de "botoque" — a rolha de fechar barril — referência aos adornos labiais e auriculares que usavam. Um nome que reduzia uma civilização inteira a um acessório. Mas por baixo do rótulo, existia uma sociedade seminômade sofisticada, organizada em ciclos sazonais, com domínio profundo das técnicas de caça, coleta, uso de resinas, cipós, madeiras e minerais. Existia cosmologia. Existia linguagem. Existia lei.

Meu povo impedia que nossas matas fossem queimadas, nossos rios fossem poluídos, nossas riquezas fossem extraídas e nossa dignidade fosse manchada com sangue inocente.

— Ailton Krenak, "Borun Krenak: 200 anos de resistência à Guerra Justa", 2008

E então chegou o ouro. E com o ouro, chegou o fim do mundo como eles o conheciam. Os bandeirantes paulistas subiram os rios armados de mosquetes e cobiça. Para que a mineração florescesse, a Coroa Portuguesa precisava de duas coisas: terra limpa e gente submissa. Os Borum não eram nem uma coisa nem outra. Resistiram com arcos, flechas e conhecimento territorial — e por isso foram classificados como "índios bravos", inimigos do progresso, obstáculos ao desenvolvimento.

Essa classificação não era neutra. Era uma sentença. Porque na legislação colonial portuguesa, existia uma distinção brutal entre o "índio manso" — que podia ser catequizado e explorado — e o "índio bravo" — que podia ser exterminado. Os Borum foram encaixados na segunda categoria. E o extermínio veio.

1808 ano da Carta Régia que declarou Guerra Justa contra os Botocudos
15 anos de campanha militar oficial de extermínio (1808–1823)
12+ etnônimos diferentes impostos ao povo Borum-Kren por colonizadores
Guerra Justa

A legalização do massacre: quando o Estado transforma extermínio em política pública.

A Carta Régia de 1808 autorizava a escravização dos indígenas capturados e premiava comandantes pelo número de mortos.
Dispersão Forçada

Separar famílias, proibir a língua, forçar o silêncio — a outra face do genocídio.

Os sobreviventes foram dispersos pelos distritos da região, obrigados a se declarar pardos e esconder sua identidade.
Capítulo II · Ascensão

A Guerra que Tinha Nome de Justiça

Treze de maio de 1808. O príncipe regente Dom João — o mesmo que chegara ao Brasil fugido de Napoleão — assinou no Rio de Janeiro a Carta Régia que autorizava guerra ofensiva contra os Botocudos de Minas Gerais. O documento era endereçado ao governador da capitania e ordenava a criação de seis divisões militares para invadir as matas, combater os indígenas na estação seca e escravizar os prisioneiros por no mínimo dez anos.

A linguagem do decreto é reveladora. Chamava os Borum de "atroz raça antropófaga" e prometia premiação em soldo extra aos comandantes que apresentassem mais mortos e prisioneiros. Não era uma guerra defensiva. Era uma operação de limpeza territorial financiada pela Coroa, com metas de produtividade medidas em corpos. O conde de Linhares, ministro da Guerra e idealizador da campanha, chegou a ordenar a distribuição de roupas contaminadas com varíola entre os grupos indígenas — uma forma de guerra bacteriológica que antecipou em mais de um século as atrocidades do século XX.

Ouro Preto é marcado por um processo de genocídio indígena. As pessoas ainda têm medo de se declarar indígena aqui, pelo fato desse processo de violência que acabou recentemente, em 92.

— Cacique Danilo Borum-Kren, Agência Primaz, 2025

A guerra durou oficialmente de 1808 a 1823, quando a lei de 27 de outubro revogou a Carta Régia. Mas o fim legal não significou o fim da violência. A perseguição continuou por décadas, por meios diferentes: aldeamentos forçados, missões catequéticas, expropriação de terras, proibição de práticas culturais. Em 1775, já havia começado uma campanha de extermínio específica contra os Borum da região de Ouro Preto — a Carta Régia apenas formalizou e escalou o que já existia.

O resultado foi devastador. Famílias inteiras foram dispersas pelos distritos e zonas rurais da região dos Inconfidentes. Os que sobreviveram aprenderam que revelar a identidade indígena era perigoso. Passaram a se declarar pardos nos censos. Esconderam os arcos. Calaram a língua. Enterraram o nome. E quando os historiadores olharam para trás, escreveram que os Botocudos daquela região estavam extintos.

Mas extinção é uma palavra que só funciona quando ninguém está ouvindo. Nas cozinhas de Santo Antônio do Leite, de Amarantina, de Miguel Burnier, as avós continuavam contando. Baixinho. De mãe para filha. De avó para neto. A memória não morreu — ela apenas aprendeu a sussurrar.

Capítulo III · Encontro

A Avó que Guardou o Nome

Danilo Antônio Campos da Silva nasceu em Santo Antônio do Leite, distrito de Ouro Preto. Quando era criança, ouviu de sua avó materna, Petrina, uma coisa que não devia repetir em voz alta: que eles eram indígenas. Bravos. Que se chamavam "Borum Kren". Petrina aprendera isso com sua mãe, Josefina. E Josefina com a mãe dela. A corrente vinha de longe — atravessou séculos de silêncio imposto sem se romper.

Danilo lembra de um dia que nunca esqueceu. Quando era menino, estava brincando com um arco e flecha que aprendera a fazer com os parentes mais velhos. Uma vizinha idosa viu, tomou da mão dele e quebrou o arco. Disse que era perigoso. Que não podia deixar ninguém saber que ele era indígena. Não era maldade — era medo real, enraizado em gerações de violência. Numa região onde o decreto de extermínio tinha sido assinado contra os seus, revelar-se era arriscar a vida.

A gente luta contra o apagamento da nossa cultura e do nosso povo. Foram 210 anos de violência e, hoje, as pessoas não sabem mais o que é ser indígena, não se reconhecem fruto dessa ancestralidade.

— Cacique Danilo Borum-Kren, Prefeitura de Ouro Preto, 2023

Mas Danilo guardou. Guardou o nome. Guardou as técnicas. Aprendeu com os mais velhos a confeccionar instrumentos e artefatos indígenas — inclusive pétreos — com uma maestria que é rara hoje em qualquer comunidade do Brasil. Sabe identificar matérias-primas na mata: madeira, cipós, folhas, resinas. É, ao mesmo tempo, mateiro, raizeiro, artesão, ambientalista e historiador — formando-se em História pela Universidade Federal de Ouro Preto.

No início dos anos 2000, Danilo iniciou o que ele chama de movimento de ressurgência. Passou anos ouvindo os mais velhos, recolhendo memórias, organizando politicamente os parentes dispersos. E então descobriu algo que doía, mas que também dava combustível: nos registros oficiais, os Borum-Kren eram considerados extintos. A história oficial de Ouro Preto — patrimônio mundial da UNESCO — era contada como se o ouro tivesse sido extraído de uma terra vazia. Como se não houvesse sangue debaixo daquelas pedras.

Etnogênese e Ressurgência

A etnogênese é o processo pelo qual um grupo étnico se reconstitui, se reorganiza e se reafirma publicamente após um período de invisibilização forçada. Não se trata de "inventar" uma identidade — mas de desenterrar uma que foi deliberadamente soterrada. Nos Borum-Kren, a ressurgência é indissociável da recuperação territorial: a cultura só se restaura inteiramente quando o povo pode voltar a pisar a terra que lhe foi roubada.

A avó de Danilo, Petrina, foi enterrada no cemitério de Santo Antônio do Leite. A bisavó paterna tinha um registro que a identificava como "negra da terra" — termo colonial para indígena escravizada. Ela foi enterrada no cemitério de São Julião, hoje Miguel Burnier. Essas mulheres não tinham diplomas. Não tinham plataformas. Tinham apenas a voz e a teimosia de não esquecer. E isso foi o bastante para que, dois séculos depois, um povo inteiro pudesse se levantar e dizer: nós estamos aqui.

Cascatas Socioecológicas

Quando um povo volta à sua terra, a terra também volta a ser o que era.

A pesquisa de Bárbara Flores Borum-Kren investiga como a retomada territorial indígena pode desencadear ondas de regeneração ambiental e cultural.
Capítulo IV · Processo

Restaurar a Terra, Restaurar a Memória

Se Danilo é a voz que trouxe o povo de volta ao mapa político, Bárbara Nascimento Flores Borum-Kren é a mente que está traduzindo essa luta em ciência. Yáma M'Bok — seu nome Borum-Kren — é a primeira pessoa de sua família a frequentar uma universidade. Formou-se em turismo pela PUC Minas, fez mestrado e doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de Santa Cruz, na Bahia, e pós-doutorado na Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.

A pesquisa de Bárbara se sustenta sobre dois conceitos que, juntos, mudam a forma como entendemos a relação entre povo e território. O primeiro é a memória biocultural: a ideia de que a relação construída ao longo de milênios entre um povo e seu território cria um vínculo tão profundo que se torna parentesco — o que ela chama de "floresta genealógica". O segundo é o conceito de cascatas socioecológicas: a hipótese de que, quando um povo indígena retoma sua terra, isso desencadeia processos em cadeia que regeneram não apenas o ambiente, mas também as memórias, os modos de vida e as cosmologias associadas àquele lugar.

Na medida que a gente restaura o território, a gente também restaura a cultura. Da mesma forma, quando a gente restaura a cultura, a gente também restaura o território.

— Bárbara Flores Borum-Kren, Agência Brasil, 2025

Em 2024, Bárbara foi contemplada pelo Instituto Serrapilheira com um grant de R$ 100 mil, ampliado em 2025 para R$ 517 mil em parceria com a FAPESB. O projeto investiga especificamente como a retomada Borum-Kren no Vale do Uaimií — Região dos Inconfidentes, na Cordilheira do Espinhaço — pode induzir essas cascatas regenerativas. A pesquisa combina dados históricos, arqueológicos, antropológicos, sociológicos e ecológicos numa abordagem que é, ela mesma, uma cascata: interdisciplinar, pluriversal, enraizada.

Nos Estados Unidos, durante o pós-doutorado, Bárbara fundou o Center Wayrakuna of Indigenous Ancestral Sciences, uma rede que conecta cientistas indígenas de todo o continente americano. Wayrakuna, do quéchua, significa "filhas do vento". O centro é parte do Movimento Plurinacional Wayrakuna, o primeiro grupo de pesquisa do Brasil composto inteiramente por mulheres indígenas.

Cinco marcos da retomada Borum-Kren que mostram o caminho percorrido:

  1. 01
    Escuta dos mais velhos (anos 2000)

    Danilo iniciou um trabalho de décadas ouvindo parentes idosos que guardavam memórias orais da identidade Borum-Kren, começando pela própria avó Petrina.

  2. 02
    Organização política e autodenominação

    O coletivo "Borum-Kren Vivos e Fortes" foi fundado para articular os parentes dispersos e reivindicar o reconhecimento do povo como existente — não extinto.

  3. 03
    Abril Indígena em Ouro Preto (2022)

    Mesas redondas, caminhadas, oficinas, palestras e o espetáculo "Jagy Nak — Sabedoria da Terra" levaram a cultura Borum-Kren para escolas e espaços públicos do município.

  4. 04
    Visita da Funai ao território (2023–2024)

    Técnicos da Funai visitaram Antônio Pereira e outras localidades, reconhecendo formalmente a presença indígena Borum-Kren em Ouro Preto e abrindo caminho para demarcação.

  5. 05
    Pesquisa científica e visibilidade internacional (2024–2025)

    Bárbara Flores obteve financiamento do Serrapilheira e CNPq, fundou o Center Wayrakuna nos EUA e participou de encontro com o Papa Francisco na Itália.

Memória Biocultural

Quando um povo conhece cada planta pelo nome, a floresta também lembra quem ele é.

A restauração ambiental orientada por saberes indígenas identifica espécies culturalmente importantes para guiar a recuperação de ecossistemas.
Mineração e Território

A Barragem Doutor, da Vale, impõe risco sobre o mesmo chão que já foi ameaçado em 1808.

Em Antônio Pereira, os Borum-Kren vivem sob a Zona de Autossalvamento de uma barragem da Vale, impedidos de acessar mata, cachoeiras e áreas de garimpo tradicional.
Capítulo V · Legado

A Cultura do Amanhã

Existe uma frase do cacique Danilo que carrega o peso de tudo o que veio antes e a leveza de tudo o que pode vir depois. Ele disse, durante o Abril Indígena de 2022, numa Ouro Preto que já foi capital onde se assinaram leis de extermínio contra o seu povo: "A cultura indígena não é uma cultura ultrapassada, é uma cultura do amanhã. Ela vem da terra."

Essa frase não é retórica. É ciência. A pesquisa de Bárbara Flores demonstra que as Terras Indígenas da Amazônia influenciam as chuvas que abastecem 80% da área das atividades agropecuárias do país. Quando um povo cuida da floresta, a floresta cuida de um continente. Quando um povo é expulso da terra, a terra adoece junto. E quando esse povo retorna, começa uma cascata de regeneração que não respeita as fronteiras que desenhamos nos mapas.

Os Borum-Kren de hoje não vivem em aldeia. Estão espalhados por todos os distritos, subdistritos e zonas rurais de Ouro Preto, Itabirito, Mariana e cidades vizinhas. Muitos ainda não sabem que são indígenas. Muitos sabem, mas têm medo de dizer. O censo que a Prefeitura de Ouro Preto começou a realizar, com apoio do coletivo Borum-Kren e dos CRAS, é uma tentativa de mapear essa presença invisível — de dar números a uma permanência que sempre esteve ali, mas que os números oficiais se recusavam a enxergar.

É uma necessidade muito forte que a minha geração sentiu de mudar esses destinos de morte, que eram como uma predestinação. A gente quer mostrar que não é bem assim, que a gente pode fazer diferente.

— Bárbara Flores Borum-Kren, Agência Brasil, 2025

Em Antônio Pereira, Aliliane Borum-Kren carrega a memória da bisavó Sadela — Adélia Caetana de Oliveira — que foi, segundo os relatos familiares, capturada e violentada por colonos. Apesar de tudo, viveu até os 136 anos. Aliliane conta que o autorreconhecimento como mulher indígena trouxe um alívio que não sabia que precisava. Entendia finalmente por que sempre buscava o mato quando precisava se acalmar. A busca pela natureza era, desde sempre, uma forma de se conectar com a ancestralidade — mesmo antes de ter nome para isso.

Mas a ameaça não é só passado. Em Antônio Pereira, a Barragem Doutor, da mineradora Vale, impõe uma Zona de Autossalvamento sobre o território Borum-Kren. A comunidade perdeu acesso a áreas produtivas, ao garimpo tradicional, às cachoeiras e à mata atlântica do distrito. A Funai visitou a região em setembro de 2023 para qualificar demandas, mas a situação ainda exige ação concreta. O genocídio de 1808 usou soldados e varíola. O de agora usa lama de rejeito e burocracia.


Quando uma vizinha quebrou o arco de um menino em Santo Antônio do Leite, ela achava que estava protegendo. Talvez estivesse. Mas o menino cresceu, se tornou cacique, e hoje fabrica arcos e flechas com a mesma maestria dos seus antepassados — à vista de todos, sem pedir licença. A proteção que ele precisava não era o silêncio. Era o mundo mudar o suficiente para que o barulho fosse seguro.

Quebraram o arco, mas o menino lembrava como fazer outro.

Calaram o nome, mas as avós sussurravam no escuro.

A terra espera — e a terra reconhece quem volta.

Referências

  1. MOREL, Marco. A Saga dos Botocudos: Guerra, Imagens e Resistência Indígena. São Paulo: Hucitec Editora, 2018.
  2. MATTOS, Izabel Missagia de. Civilização e Revolta: Povos Botocudo e Indigenismo Missionário na Província de Minas. Campinas: UNICAMP, 2002.
  3. MONTEIRO, John. Negros da Terra: Índios e Bandeirantes na Origem de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
  4. SEKI, Lucy. Notas para a história dos Botocudo (Borum). Boletim do Museu do Índio, Série Documentação, nº 4. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 1992.
  5. FLORES, Bárbara Nascimento Borum-Kren. Ancestralidade, movimentos de mulheres e sustentabilidade ambiental local para enfrentamento de crises globais. RELAEC, v. 02, p. 91–119, 2021.
  6. MARINATO, Francieli A. Índios Imperiais: Os Botocudos, os Militares e a Colonização do Rio Doce (Espírito Santo, 1824–1845). Dissertação de mestrado, UFES, 2009.
  7. BAETA, Alenice; MOREIRA, Gilvander. Memória Indígena Borum Kren na região de Ouro Preto, Minas Gerais. CEDEFES, 2022.
  8. INSTITUTO SERRAPILHEIRA. Projeto de pesquisa: Como a retomada Borum-Kren pode contribuir para a restauração da memória biocultural e para indução de cascatas socioecológicas no Vale do Uaimií/MG. Serrapilheira, 2024–2025.